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Uma publicação da Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo

Ano 3 n° 8 Maio/Junho 2008
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Novas tecnologias, novo conteúdo

Depois de tantas discussões sobre tecnologia digital, investimentos em novos equipamentos, leis de incentivo e inanciamentos, profissionais do setor de rádio e tv discutem um novo modelo de conteúdo

Muito se ouviu falar sobre tv e rádio digital e os padrões isDb-tb (tv) e iboc (preferido dos radiodifusores, que ainda aguardam a definição do governo). Discussões sobre formatos de compressão, receptores, mobilidade e portabilidade ganharam espaço em feiras, congressos, salas de aula e imprensa. Entre 2006 e 2007, a tecnologia digital ficou mais conhecida. A primeira transmissão oficial de sinal de tv digital no Brasil aconteceu no último dois de dezembro e o rádio segue o mesmo caminho, pronto para entrar na nova era. contudo, surge um novo desafio: moldar o conteúdo às novas tecnologias e, ainda, lucrar com a mudança.

MULTIPLICIDADE E QUALIDADE

No caso do rádio, além da qualidade de som, a tecnologia permite a compressão dos sinais de voz, abrindo o canal de rádio para a transmissão de dados, como textos e imagens no visor do aparelho. Para isso, será necessária a criação de informações complementares às notícias transmitidas, como cotações financeiras, previsão do tempo, notícias de trânsito, detalhes da programação musical, nome do autor e título da música, entre outras. A tecnologia permite também a multiplicidade de conteúdos, ou seja, cada emissora de rádio poderá transmitir até três canais simultaneamente. “esta é a maior magia do rádio digital, já que, em uma cidade como São Paulo, passaremos a ter, aproximadamente, 90 opções de conteúdo quando o sistema estiver em pleno funcionamento, tanto na transmissão quanto na recepção” assegura Sérgio Sitchin, diretor comercial da rádio bandeirantes. Já para a tv, a melhora do som e da imagem transmitidos é o maior valor agregado à nova tecnologia.


Neste caso, a emissora também poderá exibir simultaneamente gráficos, clipes e informações adicionais. Mas tem que oferecer qualidade em suas produções. “os veículos devem exigir um padrão mínimo de qualidade porque se transmitirem um conteúdo mal produzido, o espectador vai notar a diferença”, explica o publicitário Agnelo Pacheco. O produtor Alessandro Oliveira "Caliu”, diretor da produtora de conteúdo para emissoras de rádio talk radio, acredita que a tecnologia digital permitirá uma maior diversidade de negócios. “os veículos de comunicação não irão somente oferecer programação de qualidade, mas também serviços adicionais de dados, com informação qualificada”, acredita.

SEGMENTAÇÃO

Com a possibilidade de cada emissora transmitir até três canais simultaneamente, a segmentação – que já é realidade nos grandes centros – será inevitável em todo o país. com a especialização, poderão surgir, inclusive, canais pagos, como acontece com a televisão. A emissora poderá escolher como fazer esta segmentação através de pesquisas de público. “Haverá o aprofundamento da segmentação da programação para atender diferentes faixas ou segmentos da audiência. Podendo ter um canal só para música, com variados gêneros e estilos, ou temáticos, especializados em notícias, esportes, religião, política etc.”, afirma Caliu. “os planos de cada emissora e a criatividade serão o limite dos novos conteúdos”, completa Sitchin.

COMERCIALIZAÇÃO, CONVERGÊNCIA E INTERATIVIDADE

Abusar desta diversidade de conteúdo que a tecnologia digital oferece, assim como da criatividade do profissional é a fórmula de crescimento comercial para as emissoras de rádio e TV brasileiras. A começar pelos anúncios. Os spots, por exemplo, não serão mais limitados aos formatos engessados de 15 e 30 segundos. O conteúdo publicitário poderá – e deverá – ser diluído na programação. Montar uma estratégia em cima de tantas mudanças e benefícios é o dever de cada emissora nesta nova era. “É preciso exercitar a criatividade para buscar novos e inusitados formatos, tanto de programação quanto na forma de comercialização. A digitalização é uma ótima oportunidade para o rádio e a TV sairem do convencional, buscando novos formatos, tanto de audiência quanto de receita”, reitera Sitchin.


Outro ponto positivo está na convergência de mídias, o que resultará em maior interatividade com o público. A maior ferramenta para interagir com o ouvinte está na forte utilização da internet e, em um futuro bem próximo, do celular, para ler notícias, assistir programas de entretenimento e baixar programas inteiros de música. “O rádio só ficará completo quando firmar, de fato, uma aliança com outras mídias”, enfatiza o diretor comercial da Rádio Bandeirantes.


O publicitário Agnelo Pacheco concorda e completa: “Quando a transmissão realmente chegar ao celular de forma eficiente, com interatividade, o mercado inteiro vai balançar. Esse aparelho multifuncional vai ser fantástico para a comunicação. Imagine que teremos 110 milhões de consumidores com um veículo de massa no bolso, podendo comprar o que quiser, na hora em que desejar, simplesmente apertando um botão do celular”.

Investimentos e Futuro

É claro que para colher frutos tão saborosos, o empresário de comunicação deverá repensar todo o seu esquema de comercialização, treinar e aumentar sua equipe de profissionais e fazer pesquisa de mercado, o que, inevitavelmente, implicará em investimento.



“Com a era digital vem também a era da profissionalização. As emissoras e empresas de conteúdo terão que reciclar seus profissionais, usar modernos métodos de gestão, mudar, melhorar, buscar novas idéias, recorrer à tecnologia e parcerias se quiserem prosperar e sobreviver”, aconselha Caliu.

Além do investimento em equipamentos de recepção e transmissão digital, a emissora precisa ter bons computadores com softwares de áudio e um servidor para armazenar os arquivos como músicas, entrevistas e comerciais. “Nos grandes centros, as emissoras já estão equipadas, prontas, preparadas e testando o sistema com êxito; já em mercados menores, a dificuldade de equipamentos e operadores deste sistema passa a ser maior”, informa Sitchin.
 
Uma nova era tecnológica sempre implica em uma nova era comportamental – quem não se adequar a isso, naufragará em meio a um mar de novas tecnologias. “A missão do radiodifusor fica cada vez mais desafiadora e necessária neste cenário de múltiplas opções e opiniões. Ganha a democracia e, conseqüentemente, a cultura, a educação e o nível social da população”, finaliza Sitchin.

por Juliana Freitas


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5/9/2010
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