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Uma publicação da Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo

Menu Entrevistas Edilberto de Paula Ribeiro

 

 Presidente da AESP Fala das Conquistas do setor e dos desafios e Projetos Para o Futuro

“Juntos somos mais fortes”

 Em seu segundo mandato consecutivo à frente de uma das entidades mais importantes do país, o radiodifusor e presidente da aesp edilberto de Paula ribeiro fala sobre seu trabalho durante a primeira gestão, de projetos e novos desafios para o setor em 2008. entre eles, a defesa de um novo modelo de negócios e a tentativa de adequação da ultrapassada lei de comunicações criada em 1962. União do setor é o tema chave deste ano. são mais de 500 emissoras associadas em todo o estado de são Paulo. a idéia é enfrentar os debates com o governo com um grupo fortalecido.

Revista da AESP: Unir os radiodifusores foi um dos desafios enfrentados no primeiro mandato?

Ribeiro: Desde o começo sempre acreditamos em fazer o melhor para o setor e constatamos que seria importante unir nossa categoria, pois uma entidade que tem centenas de associados, mas não é unida, se enfraquece. Obviamente, que alguns problemas que a radiodifusão enfrenta não são resolvidos de uma hora para outra. Porém, contamos com uma diretoria forte, formada por profissionais e empresários do setor, sérios e engajados nesta luta.

E quais são esses problemas?

Problemas tributários, taxas de importação de equipamentos. Um dos mais complicados é a questão da renovação de outorgas, pois o governo tem colocado exigências absurdas e não define um modelo de negócio.

O que a Aesp defende com relação a criação de um modelo de negócio?

A nova tecnologia abre a possibilidade da convergência em todas as mídias. Quando a legislação que rege o setor foi promulgada, em 1962, não havia TV a cores, TV a cabo, internet, telefonia celular e outros meios. Com isso, a legislação apresenta inúmeras emendas. A entrada das empresas de telefonia no mercado da comunicação tem sido um dos grandes complicadores! É muito difícil quando você trabalha com um setor que tem uma organização muito forte como é o caso das empresas de internet e telefonia. Então há a concorrência com o setor de rádio e TV. Nós também temos um valor agregado de negócios muito forte, mas é muito diversificado. Enquanto você tem meia dúzia de empresas de telefonia, temos mais de seis mil radiodifusores e mil empresas de televisão, portanto é difícil agradar o coletivo. Nós precisamos ter a participação dos
grupos para diminuir essas diferenças.

A Aesp defende uma mudança no código brasileiro de comunicação?

Não se trata de mudança, queremos, pelo menos, tratamento igualitário. Para citar como exemplo: nós somos obrigados a transmitir o horário eleitoral gratuito e a Voz do Brasil. Nestes casos as teles só têm direitos. Na hora de fazer uma transferência de cotas, por exemplo, eles apenas passam pelo crivo de uma junta comercial.

O governo tem colocado exigências absurdas sobre a renovação de outorga e não define um modelo de negócio. Então, por que essa diferença?

Temos que brigar pelos nossos direitos e fazer uma legislação que seja adequada para todas as empresas do setor. É isso que a Aesp defende.

Vai existir um desgaste grande com os órgãos do governo?

Esse desgaste coube e caberá a nossa diretoria enfrentar com muita força. Já fizemos grandes debates com o poder concedente e tivemos avanços. Claro que esta situação não muda da noite para o dia. Mas, já estamos sendo ouvidos pelos órgãos do governo e vamos continuar trabalhando para que essas mudanças se tornem realidade.

A união do setor é fundamental para começar diminuir essas diferenças?

Sim, e, para isso, durante nossa primeira gestão, realizamos muitas reuniões, fizemos visitas às emissoras do interior do Estado, reuniões regionais com empresários, buscamos contato direto com autoridades do governo e políticos ligados à nossa área, enfim, discutimos o que estava acontecendo.

Já houve avanços nesse sentido?

Sim, formamos um contato mais estreito com o Ministério das Comunicações e a Anatel, com várias autoridades políticas e administrativas que entendem nossa linha de raciocínio e estamos avançando para que isso tenha um resultado prático. Sentimos que esse governo está aberto ao debate, ao diálogo. Só que no Brasil tudo ainda é muito demorado. Esperamos conseguir, ainda nesse nosso segundo mandato, atingir os objetivos e o ponto de equilíbrio sobre as demandas do nosso setor.

Que tipo de ações efetivas a Aesp realizou para combater as dificuldades enfrentadas pelos radiodifusores?

Além das reuniões, em 2006 e 2007, houve os Encontros Paulista de Radiodifusão, quando reunimos os profissionais do setor, empresários e radiodifusores de várias regiões para discutir assuntos ligados à nossa área, aprofundar os debates e nos preparar para a chegada do rádio digital. Foi um trabalho muito importante, pois colocamos a Aesp mais próxima dos associados do interior do Estado. Isso tudo faz parte do processo de valorização do setor rádio.

Valorizar o associado é uma das prioridades da Aesp?

Exatamente. Nesses encontros, escolhemos os melhores hotéis, convidamos palestrantes e profissionais de diversas áreas relacionadas ao rádio e à TV e tudo isso sem custo nenhum o governo tem colocado exigências absurdas sobre a renovação de outorgas e não define um modelo de negócio para os associados. Fazemos questão que todos tenham o mesmo tratamento e jamais se sintam inferiorizados por estar no interior.

Quais as mudanças ocorridas na Aesp nos últimos três anos?

Fizemos investimentos no nosso espaço físico com a ampliação da sede, criamos novos departamentos, contratamos profissionais para o atendimento, criamos departamentos específicos, como o de mídia e de marketing para buscar alternativas de ganho para os radiodifusores, e já conseguimos resultados práticos. Em 2007 foram quase R$ 8 milhões de verbas distribuídas em diversas emissoras do interior do Estado através das agências de publicidade que trabalham com a Aesp. Nossa expectativa é que isso aumente para cerca de R$12 milhões em 2008.

Este trabalho de valorização do rádio também esta sendo passado pelas entidades de outros Estados?

É importante dizer que o nosso setor tem que ser valorizado como um todo. Para isso, trocamos idéias com entidades de todas as partes do Brasil. Temos problemas semelhantes de norte a sul do país. A Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido da Associação Brasileira de Rádio e TV (Aberta), está fazendo um levantamento sobre o setor de radiodifusão, o que vai nos ajudar muito a mostrar para a sociedade a força e o valor que o rádio tem.

Todo mundo sabe que o rádio tem 98% de audiência, então porque temos muitas emissoras com problemas financeiros?

Temos que mudar esse quadro. Esse levantamento feito pela FGV será muito importante para mostrar a força que nosso setor tem, como ele investe, quantas famílias ele emprega e quanto gera de impostos.

Os radiodifusores já perceberam a importância da declaração de faturamento ao Intermeios para aumentar o bolo publicitário?

Aos poucos estão percebendo que é um caminho seguro para aumentarmos nossa participação no bolo publicitário. É incrível termos apenas 4,8% de participação. Tenho convicção de que nossa participação é de pelo menos 10%, mas para provar isso cada emissora deve informar seu faturamento. Nosso setor é muito forte e temos que mostrar isso para que tenhamos prestígio, ganho de capital, condição econômica adequada para se modernizar.

Qual a importância da Aesp na escolha do padrão da TV Digital para o Brasil?

A TV Digital foi escolhida através de um grande trabalho, junto ao Ministério das Comunicações, feito pelas universidades, entidades do setor como a Aesp e Abert e profissionais da área técnica e de pesquisa. Eu destaco aqui a iniciativa do ministro Hélio Costa que colocou todo o seu empenho em função disso, nós acreditamos e o apoiamos. Ainda estamos no começo de todo o processo, mas acredito que o nosso modelo de TV é o ideal e que em breve os brasileiros vão se orgulhar disso.

E quanto a escolha do padrão do rádio. Está próxima?

A escolha do padrão digital do rádio já deveria ser definido, mas houve um atraso, devido a um erro no modelo de pesquisa e no processo de medição adotado por nós. No entanto, o trabalho de medição já está sendo feito pelas equipes técnicas das emissoras e das entidades do setor como Abert, Aesp, Anatel e o instituto Mackenzie. O próprio Ministro Hélio Costa já declarou numa reunião com a delegação brasileira que esteve na NAB, que basta enviar os relatórios que em trinta dias ele apresentará ao presidente para a decisão final. Confio na equipe de rofissionais que está realizando os testes e no Ministro Hélio Costa que nos deu a a noticia durante o encontro em Las Vegas.

Este ano mais uma vez a comitiva da Aesp bate recorde de participação na NAB Show. Qual a importância para o radiodifusor visitá-la?

Tivemos uma comitiva com 350 integrantes, foi o maior grupo vindo de uma associação. Nossa presença é fundamental, pois os americanos estão reconhecendo a importância do trabalho dos profissionais brasileiros, nosso potencial e o valor de nossos profissionais. Tanto que neste ano contamos com um pavilhão exclusivo com expositores brasileiros na NAB. O ministro Hélio Costa fez a abertura oficial, visitou cada um dos estandes e ficou orgulhoso com o aumento da representatividade brasileira na NAB.

Quais os novos desafios para a Aesp em seu próximo mandato?

Os desafios são muitos. O principal é tentar discutir com os parlamentares a aprovação de leis no Congresso que muitas vezes prejudicam o nosso setor, como é o caso da proibição da publicidade de bebidas alcoólicas, mudança da legislação de transferência e atos de outorga, entre outras. Esta administração vai continuar atenta a todas as situações, sempre com diálogo, transparência e harmonia, pois a Aesp não trabalha sozinha, precisamos da união de
todos os radiodifusores para enfrentar batalhas. Estamos no caminho certo.


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5/9/2010
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